CINECLUBE KALUNGA: 12 MESES DE SUCESSO

Por: Divanilde Carvalho, Eduardo Borges e Jarli Guajajara

Dia 15 de Junho de 2018 marcou o início do projeto CineClube Kalunga, idealizado pela estudante de Medicina Hellen Stephanye Rosa de Oliveira. O objetivo era exibir filmes sobre a cultura negra ou que abordassem questões raciais, todos gratuitamente. Hoje, um ano depois, Hellen e toda a coordenação podem se sentir orgulhosas, pois o objetivo foi e está sendo cumprido, pois o projeto está ficando cada vez maior e mais famoso.

O filme Preciosa, indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2010 foi exibido na Vila Cultural Cora Coralina, sendo o primeiro longa a ser projetado pelo Kalunga. Hellen Stephanye conta que a ideia de começar o projeto veio após ter participado de uma sessão realizada pelo CinecluB, no qual ela sentiu que faltava um projeto para dar visibilidade à questões negras. leia mais aqui.

Filmes

Ao longo dos 12 meses de existência, o CineClube Kalunga foi palco de diversas produções audiovisuais de sucesso. Dentre elas, o filme brasileiro QuilomboMalcolm X e Corra! ambos do premiado diretor Spike Lee, Do The Right ThingCoffySer Tão Velho CerradoThe Watermelon Woman e vários outros. Mas o destaque vai para as últimas três sessões do CineClube Kalunga, que conquistaram um número significativo de novos apreciadores.

O filme Mudbound: lágrimas sobre o Mississipi foi exibido no dia 23 de Maio deste ano e foi o começo de um novo capítulo para o projeto, que teve continuidade com a sessão de Infltrado na Klan, que foi um sucesso absoluto. O filme foi projetado apenas 5 dias depois de Mudbound, o que provou a dedicação e esforço dos organizadores para que conteúdos de qualidade cheguem mais e mais rápidos.

E depois de Infiltrado na Klan (que lotou o auditório da faculdade de Letras da UFG), veio o grande vencedor do Oscar de melhor filme em 2017: Moonlight Sob a Luz Do Luar. A sessão contou novamente com casa cheia, pois agora novos frequentadores vindos das projeções passadas marcaram presença. Nesse dia, houve também a comemoração do primeiro ano do projeto que contou até mesmo com um bolo.

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Bons frutos

No dia 29 de Maio de 2019, a coordenadora do projeto CineClube Kalunga Hellen Stephanye, recebeu uma homenagem pela União de Cineclubes de Goiânia. Sobre o evento, Hellen diz ter ficado muito feliz, tanto é que postou em suas redes sociais o seguinte comentário: “Olhem isso! Onze meses de muita luta! Poder ao povo preto!”. Com relação a essa homenagem e reconhecimento, a artista visual Ókun, que é também uma das organizadoras do cine comentou: “A homenagem dos Cineclubistas na Câmara Municipal foi de extrema importância para valorizar esse projeto que visa elevar o audiovisual, tornar acessível e trazer debates. Foi muito importante a Hellen ganhar essa homenagem, pois o CineClube Kalunga além de ser um cineclube, trata de questões sociais, então é muito gratificante que um projeto desses que visa melhorias sociais através do audiovisual seja homenageado dessa forma, pois normalmente esses projetos são boicotados, pois não querem falar sobre racismo. Não se deixam falar sobre racismo.”

O racismo no Brasil possui vertentes antigas e estruturadas, em um mecanismo que impossibilita a representatividade do negro dentro da sociedade. Sobre o tema tão relacionado ao Cineclube Kalunga, Ókum afirma: “Quando temos um cine desses em que só passa filmes negros, com personagens ou cineastas negros, estamos dando esse protagonismo para as pessoas que precisam ter esse protagonismo. Está na hora de ganharmos essa visibilidade, essas homenagens, porque não tem como não falar sobre racismo. É algo que está atingindo toda a população.”

Hellen Stephanye na homenagem dos cineclubistas. Foto: Facebook CineClube Kalunga

Kalunga para além da UFG

No dia 6 de julho deste ano, o Cineclube Kalunga, esteve presente no Movimento Cultural em Pirenópolis no interior de Goiás, cidade histórica marcada pela corrida de ouro e símbolo da escravidão no Estado. Essa com certeza é a primeira de muitas outras exibições que vão ocorrer em outras cidades. E quem sabe um dia o CineClube Kalunga vire conhecido internacionalmente. Pirenópolis foi só o começo….

CRÉDITOS:

FEITO POR DIVANILDE CARVALHO DE SOUZA, EDUARDO ALVES BORGES E JARLI GUAJAJARA

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